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	<title>PET Química UFC &#187; Ana Caroline Nascimento Souza</title>
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		<title>Poluentes atmosféricos em museus: o ar que a arte “respira”</title>
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		<pubDate>Mon, 21 Feb 2022 14:53:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Ana Caroline Nascimento Souza]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Química]]></category>

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				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">  A qualidade do ar interior tornou-se uma preocupação significativa da comunidade nas últimas duas décadas, visto que as pessoas passam mais de 90% do tempo em um ambiente interno e mais de 7% em seus carros fechados e com baixa circulação de ar. Nos museus, a exposição de objetos de arte em vitrines é muito utilizada por motivos de segurança e de proteção contra a poluição externa, mas os poluentes gerados dentro das vitrines, muitas vezes emitidos pelos próprios objetos ou pelo material utilizado na sua confecção, podem se acumular e promover a deterioração do patrimônio histórico.</p>
<div id="attachment_5417" style="width: 650px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://www.petquimica.ufc.br/wp-content/uploads/2022/02/mumia.jpg" class="grouped_elements" rel="tc-fancybox-group5416"><img class="size-full wp-image-5417" src="http://www.petquimica.ufc.br/wp-content/uploads/2022/02/mumia.jpg" alt="Figura 1: Novas vitrines para múmias do Museu Nacional Fonte: www.blogs.oglobo.globo.com" width="640" height="424" /></a><p class="wp-caption-text">Imagem 1: Novas vitrines para múmias do Museu Nacional; Fonte: www.blogs.oglobo.globo.com</p></div>
<p style="text-align: justify;">  Um poluente pode ser definido como um composto químico reativo, passível de ser encontrado no estado líquido, gasoso ou particulado. Os poluentes são considerados primários quando são liberados diretamente para a atmosfera pelas fontes de emissão e secundários quando formados a partir de reações químicas em que participam os poluentes primários. Os compostos orgânicos voláteis (COVs) são poluentes internos que, mesmo em baixa concentração, podem produzir sensação de mal-estar ou tontura, aumentar o risco de asma e afetar os sistemas imunológico, nervoso e reprodutivo além de poderem ser liberados de diversas fontes, incluindo os materiais que compõem os próprios artefatos. Além disso, estes poluentes apresentam um risco ao patrimônio cultural, visto que podem reagir com as obras de artes presentes em museus e galerias, modificando sua estrutura química.</p>
<p style="text-align: justify;">  A exposição a uma atmosfera rica em poluentes voláteis pode colocar em risco as coleções de museus, galerias, bibliotecas ou arquivos. Monitorar poluentes voláteis em museus é ainda hoje uma prática pouco habitual na maioria das instituições. A existência de poluentes em locais fechados, com inadequada renovação de ar, em simultâneo com valores elevados ou oscilações significativas de temperatura e umidade relativa, pode conduzir à degradação acentuada dos materiais mais reativos.</p>
<div id="attachment_5418" style="width: 610px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://www.petquimica.ufc.br/wp-content/uploads/2022/02/untitled-design-56-20-03-2020-13-59-1-e1645454435156.png" class="grouped_elements" rel="tc-fancybox-group5416"><img class="size-full wp-image-5418" src="http://www.petquimica.ufc.br/wp-content/uploads/2022/02/untitled-design-56-20-03-2020-13-59-1-e1645454435156.png" alt="Figura 2: Limpeza e inspeção de coleções em museu Fonte: www.museudaimigracao.org.br" width="600" height="240" /></a><p class="wp-caption-text">Imagem 2: Limpeza e inspeção de coleções em museu; Fonte: www.museudaimigracao.org.br</p></div>
<p style="text-align: justify;">  Durante muito tempo, a única ferramenta disponível aos conservadores para avaliar o impacto do ar atmosférico circundante nos objetos de coleções foi a simples inspeção visual. Atualmente, a Microextração em Fase Sólida (SPME) acoplada à detecção por GC/MS é a técnica de extração e pré-concentração prévia à análise por cromatografia gasosa que tem sido utilizada na análise qualitativa e quantitativa de COVs em microclimas de museus com resultados bastante satisfatórios, apresentando grande facilidade de execução do ponto de vista laboratorial. O dispositivo SPME inclui uma agulha em cuja ponta é posicionada uma fibra coberta com um polímero ou um sólido adsorvente que extrai os analitos voláteis da amostra recolhida por absorção ou adsorção e que é depois introduzida no GC/MS para dessorção a temperatura elevada e análise</p>
<p style="text-align: justify;">  Desde meados do século XX que cientistas da conservação propõem técnicas de medição de níveis de poluentes gasosos em museus e sugerem alternativas para mitigar o efeito danoso que estes possam vir a ter sobre as coleções. Para reduzir o contato dos poluentes com as coleções, seja nas vitrinas, reservas técnicas ou áreas expositivas, é essencial conhecer as suas fontes. Perceber os possíveis poluentes gasosos libertados pelos materiais de construção, materiais das próprias obras ou mesmo pelos visitantes, e traçar estratégias para eliminar as fontes ou minimizar os compostos emitidos, é um aspeto fundamental para uma análise de riscos adequada.</p>
<p style="text-align: justify;">  Pesquisadores e curadores reconhecem que a poluição atmosférica é uma das maiores ameaças aos objetos de arte. Vários estudos já reportaram os efeitos adversos causados ao patrimônio histórico cultural devido à exposição ao material particulado. Entre os gases, os mais danosos são os compostos orgânicos voláteis (COVs), em particular benzeno, tolueno, etilbenzeno e xilenos (BTEX), e compostos carboxílicos como o ácido acético. A caracterização do MP e de gases orgânicos e inorgânicos pode, portanto, contribuir significativamente para a prevenção da deterioração de obras de arte.</p>
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<p><strong>Bibliografia:</strong></p>
<p>Murilo de Oliveira Souza; Olga Vilanova; Benigno Sanchez; Maria Cristina Canela et al. Poluentes do ar Interior no Museu Arqueológico Nacional da Espanha: Avaliação Quimométrica em resultados de quatro anos de estudo. In: XII CONFICT &#8211; V CONPG 2020, 2020, Campos dos Goytacazes. Anais eletrônicos&#8230; Campinas, Galoá, 2020. Disponível em: &lt;https://proceedings.science/confict-conpg-2020/papers/poluentes-do-ar-interior-no-museu-arqueologico-nacional-da-espanha&#8211;avaliacao-quimometrica-em-resultados-de-quatro-anos-&gt; Acesso em: 26 janeiro de 2022.</p>
<p>Ana Flavia L. Godoi; Marianne Stranger; Sanja Potgieter-Vermaak; Ricardo H. M. Godoi et al. Poluentes Atmosféricos em Museus. Disponível em: &lt; http://sec.sbq.org.br/cdrom/30ra/resumos/T1784-2.pdf&gt; Acesso em: 17 de fevereiro de 2022.</p>
<p>Karen Barbosa; Teresa Ferreira; Patrícia Moreira; Eduarda Vieira. Monitorização de gases poluentes em microclimas de museus: estratégia relevante para a conservação preventiva. Disponível em: &lt; https://repositorio.ucp.pt/bitstream/10400.14/35586/1/24649_Manuscrito_95865_1_10_20210522.pdf&gt; Acesso em: 17 de fevereiro de 2022.</p>
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		<title>A Química do jeans</title>
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		<pubDate>Fri, 21 May 2021 14:49:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Ana Caroline Nascimento Souza]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Química]]></category>

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		<description><![CDATA[     O jeans faz parte da vida de pessoas das mais diferentes faixas etárias, classes sociais, etnias, religiões, etc. A princípio, as roupas feitas com este material eram utilizadas com mais frequência por operários em fábricas e mineradores até mesmo como cobertura para tendas e vagões, devido à sua alta resistência e valor acessível de [&#8230;]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">     O jeans faz parte da vida de pessoas das mais diferentes faixas etárias, classes sociais, etnias, religiões, etc. A princípio, as roupas feitas com este material eram utilizadas com mais frequência por operários em fábricas e mineradores até mesmo como cobertura para tendas e vagões, devido à sua alta resistência e valor acessível de produção.  Com o passar do tempo, as peças ganharam popularidade e se espalharam pelo mundo inteiro e sua produção chegou a níveis altíssimos. De acordo com a ABIT (Associação Brasileira de Indústria Têxtil e de Confecção) o Brasil é considerado referência mundial na produção de jeans sendo um dos principais produtores e consumidores, movimentando mais de R$8 bilhões por ano.</p>
<p style="text-align: justify;">     O tecido é feito de algodão e o índigo (corante azul também conhecido como anil). O algodão, principal componente do jeans, é constituído por aproximadamente 90% de celulose, um polissacarídeo de fórmula (C<sub>6</sub>H<sub>10</sub>O<sub>5</sub>)n. A celulose é composta de β-glicose (Figura 1a), que forma longas cadeias, resultando em um polímero que, ao ser observado em um microscópio, pode ser visto com finas fibras (Figura 1b).</p>
<div id="attachment_5220" style="width: 310px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://www.petquimica.ufc.br/wp-content/uploads/2021/05/caroline1.png" class="grouped_elements" rel="tc-fancybox-group5219"><img class="size-medium wp-image-5220" src="http://www.petquimica.ufc.br/wp-content/uploads/2021/05/caroline1-300x132.png" alt="Figura 1. (a) Estrutura química da β-glicose e (b) fibras de celulose vistas ao microscópio. (Fonte: http://www.jpk.com/cellulose.110.html)." width="300" height="132" /></a><p class="wp-caption-text">Figura 1. (a) Estrutura química da β-glicose e (b) fibras de celulose vistas ao microscópio. (Fonte: http://www.jpk.com/cellulose.110.html).</p></div>
<p style="text-align: justify;">     O índigo era inicialmente natural, retirado de plantas do gênero Indigofera , no entanto, ao se estudar a estrutura do índigo, sua sintetização foi viabilizada e hoje é usada em grande escala pela indústria, que ocorre a partir da oxidação da anilina. O índigo é um composto com fórmula química C<sub>16</sub>H<sub>10</sub>N<sub>2</sub>O<sub>2</sub> e apresenta como característica a presença de grupos cetônicos (C = O). É insolúvel em água, mas na forma reduzida (C – OH), torna-se solúvel.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_5223" style="width: 310px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://www.petquimica.ufc.br/wp-content/uploads/2021/05/figura2.jpeg" class="grouped_elements" rel="tc-fancybox-group5219"><img class="size-medium wp-image-5223" src="http://www.petquimica.ufc.br/wp-content/uploads/2021/05/figura2-300x61.jpeg" alt="Figura 2. Processo de obtenção do índigo natural." width="300" height="61" /></a><p class="wp-caption-text">Figura 2. Processo de obtenção do índigo natural.</p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_5224" style="width: 310px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://www.petquimica.ufc.br/wp-content/uploads/2021/05/figura3.jpeg" class="grouped_elements" rel="tc-fancybox-group5219"><img class="size-medium wp-image-5224" src="http://www.petquimica.ufc.br/wp-content/uploads/2021/05/figura3-300x73.jpeg" alt="Figura 3. Reação de obtenção do índigo sintético a partir da anilina." width="300" height="73" /></a><p class="wp-caption-text">Figura 3. Reação de obtenção do índigo sintético a partir da anilina.</p></div>
<p style="text-align: justify;">      Diferente da maioria dos corantes, o índigo se fixa nessa fibra de maneira mecânica e não química. Este processo ocorre por meio da redução do índigo a leucoíndigo para sua solubilização em água. O índigo, inicialmente azul, torna-se amarelado em sua forma leuco. Esta segunda forma possui grande afinidade pela fibra de celulose e com a exposição ao ar ocorre a reoxidação do índigo, retornando sua cor original, o azul.</p>
<div id="attachment_5225" style="width: 310px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://www.petquimica.ufc.br/wp-content/uploads/2021/05/figura4.jpeg" class="grouped_elements" rel="tc-fancybox-group5219"><img class="size-medium wp-image-5225" src="http://www.petquimica.ufc.br/wp-content/uploads/2021/05/figura4-300x91.jpeg" alt="Figura 4. Reação de oxidação e redução do índigo." width="300" height="91" /></a><p class="wp-caption-text">Figura 4. Reação de oxidação e redução do índigo.</p></div>
<div id="attachment_5226" style="width: 310px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://www.petquimica.ufc.br/wp-content/uploads/2021/05/figura5.jpeg" class="grouped_elements" rel="tc-fancybox-group5219"><img class="size-medium wp-image-5226" src="http://www.petquimica.ufc.br/wp-content/uploads/2021/05/figura5-300x182.jpeg" alt="Figura 5. Ilustração simplificada em duas dimensões das ligações de cadeias na formação da fibra de algodão e a localização dos corantes." width="300" height="182" /></a><p class="wp-caption-text">Figura 5. Ilustração simplificada em duas dimensões das ligações de cadeias na formação da fibra de algodão e a localização dos corantes.</p></div>
<p style="text-align: justify;">     Hoje, existem diversas técnicas para mudar o tom original (azul) em tonalidades e efeitos diferentes, para ampliar os modelos de comercialização do jeans. Entre outras, podemos destacar:</p>
<ul>
<li style="text-align: justify;">Clareamento: utiliza permanganato de sódio ou outro descolorante de natureza química como o cloro para deixar a peça mais clara;</li>
<li style="text-align: justify;">Délavé: é uma lavagem estonada (feita com pedras) com aplicação de clareador e alvejante químico deixando o tecido mais macio e com um tom mais fraco de azul;</li>
<li style="text-align: justify;">Destroyed: é semelhante a lavagem estonada com alvejante, porém, neste processo uma maior quantidade de enzimas é aplicada chegando a corroer o tecido, deixando a peça com aparência de “destruída”;</li>
</ul>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">    Vale lembrar que mesmo que o jeans tenha se tornado mais acessível e popular entre as pessoas, ele traz um custo para o meio ambiente. No Brasil, para a fabricação de uma calça jeans são necessários 5.000 L de água (contemplando todas as etapas de produção como: lavagem, coloração, estamparia e acabamentos de um fio, tecido ou peça), além de acabar contaminando parte dos corpos hídricos com o corante sintético. Portanto, os estudos de viabilização desse processo e de diminuição desse impacto, estão cada vez mais tendo relevância e atenção.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Bibliografia:</p>
<p>CRQ-V. A QUÍMICA DA CALÇA JEANS, Disponível em: <a href="http://www.crqv.org.br/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=227:a-quimica-da-calca-jeans&amp;catid=96&amp;Itemid=2483">http://www.crqv.org.br/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=227:a-quimica-da-calca-jeans&amp;catid=96&amp;Itemid=2483</a> . Acesso em 15 de Maio de 2021</p>
<p>MÜNCHEN, Sinara. Jeans: a relação entre aspectos científicos, tecnológicos e sociais para o Ensino de Química. Quím. nova esc. – São Paulo-SP, BR. Vol. 37, N° 3, p. 172-179, AGOSTO 2015. Disponível em: <a href="http://qnesc.sbq.org.br/online/qnesc37_3/04-QS-42-13.pdf">http://qnesc.sbq.org.br/online/qnesc37_3/04-QS-42-13.pdf</a> . Acesso em 15 de Maio de 2021</p>
<p>&nbsp;</p>
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